Encontrei a rainha Tatiana uns dias depois da minha conversa com a grã-duquesa Olga. Ela estava hospedada na Malborough House, junto com seus pais e seus dois filhos mais novos, príncipe Nicolau da Sérvia (de 10 anos) e a princesa Olga da Sérvia (de 7 anos). O pai das crianças, o rei Alexandre e o filho mais velho, Pedro, ficaram na Sérvia (oficialmente Yugoslávia).
Ela estava vestida com vestido vermelho muito elegante. Ela era altíssima e ainda usava sapatos com salto, o que a fazia parecer ter mais de 2 metros. Mas ela tinha apenas 1,80. O cabelo era castanho, cor de madeira, puxado para trás num coque. Seus olhos eram cinzentos, bem espaçados e misteriosos. Não sorriu imediatamente após me ver. Deu um aperto de mão firme, igual ao de sua irmã Olga. Disse-me para sentar-me e começamos a entrevista.
- Eu gostaria de saber qual era a sua relação e a de suas irmãs com Rasputin.
Devo ter sido mal educada, indo em uma questão tão delicada tão rapidamente. Ela me respondeu cordialmente, mas eu podia ver o constrangimento que a causei. Senti vergonha de mim mesma.
- Nós nunca éramos deixadas completamente sós com ele, se é isto que a senhora quer dizer. Mas éramos muito íntimos deles. Ele sempre ia ao palácio para curar Alexei.
Pergunto se ela acreditava nele.
- Sim, é claro que sim. Na época, todos acreditavam. Ele ainda era visto com desconfiança em algumas partes da família, como a mãe do Dickie, minha tia Victoria, e minha tia Ella, e tantos outros. Mas nós acreditávamos nele. Completamente. Hoje, eu não tenho certeza se ele era verdadeiro ou não. Mas os boatos maldosos que circulavam e ainda circulam são muito caluniosos e mentirosos.
Resolvo passar logo para a próxima pergunta, sobre a Grande Guerra. Ela diz:
- Foi um erro. Um erro que quase custou a vida da minha família. Devemos tentar, a todo o custo, evitar que outra guerra ocorra. Mas você deveria ter perguntado isso para minha irmã Olga. Ela ama política.
Fiquei arrependida de não ter perguntado nada desse tipo para a grã-duquesa Olga. Mas prossegui com a entrevista, evitando os temas políticos. Como filhas, de um autocrata, elas devem defender suas ideias. Que entrariam em choque com as minhas. Mas resolvi perguntar:
- Você defende a autocracia?
Ela ergueu as sobrancelhas.
- Ela é necessária para alguns povos que ainda não estão educados para a monarquia constitucional. Por exemplo, a Inglaterra é completamente preparada para a monarquia constitucional, por que tem um povo acostumado a ela. Porém, na minha opinião, alguns povos não estão preparados para a monarquia constitucional por que não foram educados para ela. Como os russos.
Seus pontos de vista são estranhos para mim. Resolvo ir numa linha diferente.
- Eu li que, na juventude, a senhora era muito próxima a sua irmã Olga. Até hoje é assim?
Ela deu seu primeiro sorriso desde que eu havia chegado.
- Oh, sim. Eu escrevo cartas a Olga pelo menos duas vezes na semana. E eu passo férias em sua casa a cada dois em dois anos. Nós no adoramos. Sua segunda filha recebeu meu nome e minha filha mais velha recebeu o nome dela.
Perguntei por que nenhuma das crianças das grã-duquesas tinham o nome da avó.
- Alexandra é considerado um nome azarado na família. Todas as mulheres de nome Alexandra da família imperial não passaram muito dos 20 anos. É melhor prevenir do que se remediar.
Eu fiquei consternada com aquela observação. A revolução rebentou enquanto Alexandra era czarina.
- Certo. Bom, existe uma... grande diferença de idade entre a senhora e o seu marido. Isso dificultou a relação entre vocês?
- Não. Eu o conheci no início dos anos 1910 e nos correspondemos durante a Guerra. Nos conhecíamos bastante. A diferença de idade não importa quando se gosta realmente de uma pessoa. Eu tenho 35 anos e ele 44. Nessa idade, a diferença realmente não importa muito.
Sobre os filhos, ela diz:
- Eu os amo muito. Petar, Nikola e Olga são as coisas mais importantes que tenho. Eles são muito parecidos. Petar e Nikola tem cabelo e olhos negros como a noite. Olga tem os olhos cinzas e o cabelo castanho escuro, meio avermelhado na luz. Parecida comigo. Como nós moramos perto da Rússia, passamos alguns períodos do ano lá, como o verão e às vezes o inverno.
Pergunto-lhe sobre moda. Ela se entusiasma e diz:
- Eu adoro! Sempre busco seguir a moda. Quem fazia as minhas roupas era Madame Lesson, em Paris, mas quando começou a Crise, eu comecei a desenhar e costurar minhas roupas e a dos meus filhos. Eu mesma desenhei o que estou vestindo agora. Gosto de vestidos longos e de sapatos com um salto um pouco maior atrás, pois tenho dores constantes no calcanhar. As minhas irmãs às vezes também vestem o que eu desenho.
Sinalizei que a entrevista tinha acabado. Ela se levantou e apertou a minha mão.
- Foi bom conhecer a senhora- ela disse.
Ela estava vestida com vestido vermelho muito elegante. Ela era altíssima e ainda usava sapatos com salto, o que a fazia parecer ter mais de 2 metros. Mas ela tinha apenas 1,80. O cabelo era castanho, cor de madeira, puxado para trás num coque. Seus olhos eram cinzentos, bem espaçados e misteriosos. Não sorriu imediatamente após me ver. Deu um aperto de mão firme, igual ao de sua irmã Olga. Disse-me para sentar-me e começamos a entrevista.
- Eu gostaria de saber qual era a sua relação e a de suas irmãs com Rasputin.
Devo ter sido mal educada, indo em uma questão tão delicada tão rapidamente. Ela me respondeu cordialmente, mas eu podia ver o constrangimento que a causei. Senti vergonha de mim mesma.
- Nós nunca éramos deixadas completamente sós com ele, se é isto que a senhora quer dizer. Mas éramos muito íntimos deles. Ele sempre ia ao palácio para curar Alexei.
Pergunto se ela acreditava nele.
- Sim, é claro que sim. Na época, todos acreditavam. Ele ainda era visto com desconfiança em algumas partes da família, como a mãe do Dickie, minha tia Victoria, e minha tia Ella, e tantos outros. Mas nós acreditávamos nele. Completamente. Hoje, eu não tenho certeza se ele era verdadeiro ou não. Mas os boatos maldosos que circulavam e ainda circulam são muito caluniosos e mentirosos.
Resolvo passar logo para a próxima pergunta, sobre a Grande Guerra. Ela diz:
- Foi um erro. Um erro que quase custou a vida da minha família. Devemos tentar, a todo o custo, evitar que outra guerra ocorra. Mas você deveria ter perguntado isso para minha irmã Olga. Ela ama política.
Fiquei arrependida de não ter perguntado nada desse tipo para a grã-duquesa Olga. Mas prossegui com a entrevista, evitando os temas políticos. Como filhas, de um autocrata, elas devem defender suas ideias. Que entrariam em choque com as minhas. Mas resolvi perguntar:
- Você defende a autocracia?
Ela ergueu as sobrancelhas.
- Ela é necessária para alguns povos que ainda não estão educados para a monarquia constitucional. Por exemplo, a Inglaterra é completamente preparada para a monarquia constitucional, por que tem um povo acostumado a ela. Porém, na minha opinião, alguns povos não estão preparados para a monarquia constitucional por que não foram educados para ela. Como os russos.
Seus pontos de vista são estranhos para mim. Resolvo ir numa linha diferente.
- Eu li que, na juventude, a senhora era muito próxima a sua irmã Olga. Até hoje é assim?
Ela deu seu primeiro sorriso desde que eu havia chegado.
- Oh, sim. Eu escrevo cartas a Olga pelo menos duas vezes na semana. E eu passo férias em sua casa a cada dois em dois anos. Nós no adoramos. Sua segunda filha recebeu meu nome e minha filha mais velha recebeu o nome dela.
Perguntei por que nenhuma das crianças das grã-duquesas tinham o nome da avó.
- Alexandra é considerado um nome azarado na família. Todas as mulheres de nome Alexandra da família imperial não passaram muito dos 20 anos. É melhor prevenir do que se remediar.
Eu fiquei consternada com aquela observação. A revolução rebentou enquanto Alexandra era czarina.
- Certo. Bom, existe uma... grande diferença de idade entre a senhora e o seu marido. Isso dificultou a relação entre vocês?
- Não. Eu o conheci no início dos anos 1910 e nos correspondemos durante a Guerra. Nos conhecíamos bastante. A diferença de idade não importa quando se gosta realmente de uma pessoa. Eu tenho 35 anos e ele 44. Nessa idade, a diferença realmente não importa muito.
Sobre os filhos, ela diz:
- Eu os amo muito. Petar, Nikola e Olga são as coisas mais importantes que tenho. Eles são muito parecidos. Petar e Nikola tem cabelo e olhos negros como a noite. Olga tem os olhos cinzas e o cabelo castanho escuro, meio avermelhado na luz. Parecida comigo. Como nós moramos perto da Rússia, passamos alguns períodos do ano lá, como o verão e às vezes o inverno.
Pergunto-lhe sobre moda. Ela se entusiasma e diz:
- Eu adoro! Sempre busco seguir a moda. Quem fazia as minhas roupas era Madame Lesson, em Paris, mas quando começou a Crise, eu comecei a desenhar e costurar minhas roupas e a dos meus filhos. Eu mesma desenhei o que estou vestindo agora. Gosto de vestidos longos e de sapatos com um salto um pouco maior atrás, pois tenho dores constantes no calcanhar. As minhas irmãs às vezes também vestem o que eu desenho.
Sinalizei que a entrevista tinha acabado. Ela se levantou e apertou a minha mão.
- Foi bom conhecer a senhora- ela disse.